Desenvolvimento pessoal com apoio do Cavalo

Este é o mais novo módulo de Cursos do cardápio do Rancho São Miguel, como núcleo de Horsemanship e de conhecimento sobre a natureza do Cavalo. O programa se situa entre um curso de liderança corporativa e as novas psicoterapias com apoio do Cavalo, em expansão nos Estados Unidos, principalmente.
Trata-se na verdade de um estimulo organizado e dirigido com apoio do Cavalo à decisão de cada pessoa de buscar maior auto-conhecimento e adquirir ferramentas de referência para diferentes situações e campos da vida, seja pessoal, familiar, profissional, social, comunitária.
São oito capitulos, sessões, a partir do que o cavalo nos ensina, com sua natureza compassiva, generosa, amistosa, firme, forte, livre, com suas emoções e seu instinto de sobrevivencia, com sua linguagem corportal.
O que o Cavalo nos ensina
1. A sermos mais generosos, compassivos e a respeitar o outro.
2. O Cavalo não tem respostas prontas para tudo.
3. O Cavalo equilibrado tem conexão natural com o ambiente.
4. A Natureza da Liderança entre Cavalos é natural, compassiva e servidora, mas firme
5. As ações dentro de um grupo são integradas
6. Comunicação clara, posicionamento, resposta criativa, crescimento pessoal
7. Percepção de si mesmo, auto reconhecimento
8. Desenvolvimento pessoal nos Relacionamentos
Apêndice
O Cavalo como animal de poder e medicina dos povos indígenas

O conteudo é de autoria do autor, sua reprodução é permitida mediante autorização por escrito do administrador do site e seu objetivo é contribuir para o crescimento pessoal com apropriação de valiosos ensinamentos que o conhecimento sobre o Cavalo nos proporciona. Nesta semana postamos um resumo dos dois primeiros tópicos. Boa leitura!
O que o Cavalo nos ensina
1. A sermos mais generosos, compassivos e a respeitar o outro.
O cavalo por sua natureza calma e ao mesmo tempo altiva e assertiva, ele escolhe o tempo todo, é um grande observador.
Ele observa o ambiente à sua volta, o comportamento de seus iguais, considera possíveis ameaças à sua segurança, ele usa o seu instinto todo o tempo e da observação ele sabe como agir, como se colocar e se preservar.
Assim como o Homem ele traz dentro de si a capacidade de estabelecer ligações entre as coisas que percebe através de seus sentidos. Ele usa muito o olfato, desenvolvido a ponto de sentir cheiros de hormônios, a audição refinada, o tato e a sensibilidade fina de sua pele.
Quando ele, assim como os humanos, fazem as ligações entre o que seus sentidos percebem, aí começa uma elaboração interna.
Na nossa sociedade, tensa, competitiva, estressada, as pessoas se descuidaram de cheirar, de ouvir seletivamente em meio a um profundo e constante ruído a que estão submetidas nas cidades e aglomerações, mas é perfeitamente abstrair e educar os ouvidos, a sentir cheiros e tomar consciência de como está sendo a sua respiração…. a maioria não respira – apenas inala, rápida e entrecortadamente – acumulando oxidantes, adquirindo doenças.
MENSAGEM DE ENSINAMENTO DO CAVALO
ABRA SEUS SENTIDOS – PERCEBA O AMBIENTE E SE PERCEBA – CONECTE OS FATOS E AS OBSERVAÇÕES, TOME POSIÇÃO – AJA – SEJA CRIATIVO A PARTIR DO QUE SEUS INSTINTOS E SENTIDOS TE DIZEM – REEDUQUE SUA RESPIRAÇÃO PARA INSPIRAR PROFUNDAMENTE E EXPIRAR LONGA E DEMORADAMENTE VARIAS VEZES AO LONGO DA JORNADA, ABRA A SUA AUDIÇÃO – TENHA TATO CONSIGO, COM AS PESSOAS E COM AS SITUÇÕES – ABRA E PROCURE RECUPERAR SEU OLFATO.
2. O Cavalo não tem respostas prontas para tudo.
Ele desconhece PRÉ-CONCEITOS, desconhece o que é APRIORI – ele a cada situação em que é colocado tem uma resposta criativa, do seu ponto de vista, simples, intuitivo e assertivo.
A cada momento podemos construir uma resposta que nasce sincera e honestamente dentro de cada um de nós. Essa é ou não uma contribuição que pode ser dada por Você ao mundo?. Ter respostas criativas a cada situação.
As coisas todas tem de fazer sentido. Eu elaboro as respostas a partir da realidade do momento, mais as vivências – experiências – observações do que trago comigo.
A forma superior, às vezes mais trabalhosa, de viver bem é procurar oferecer uma resposta criativa reunindo a realidade à nossa vivencia e à nossa percepção do mundo e assim responder de modo pessoal, estimulando o desenvolvimento do individuo e do grupo ao qual estamos ligados. Chega de respostas padronizadas, limitadas à idéia que foi dada de que “ é isso que esperam de Você”.
Cada situação é única, cada momento tem seus diferentes fatores envolvidos, seus sentidos e intuição reunidos aos fatos objetivos te levam à uma elaboração pessoal que pode e deve ser comungada, ser compartilhada.
MENSAGEM DE ENSINAMENTO DO CAVALO
NÃO EXISTEM RESPOSTAS PRONTAS, NÃO EXISTEM REPETIÇÕES DE SITUAÇÕES E RESPOSTAS QUE SERVIRAM NO PASSADO OU QUE SERVIRAM AOS OUTROS, QUE TE SERVEM NOS PROBLEMAS E DESAFIOS DE HOJE.
Na próxima semana, vamos compartilhar os modulos 3 e 4.

Conhecer seu Cavalo para entender suas respostas

Quando um cavalo não escolhe o que esperamos que ele escolha, dizem que é por tres razões: não entendeu, não teve tempo de responder ou seu pedido foi contraditório.Mas pode também ser por questões fisiológicas que voce desconhece. Uma delas é o ponto de vista. Como se dá a formação das imagens e o foco? Ele não vê o mesmo que nós vemos.

Em um dos capitulos do meu livro “ Conversando sobre Cavalos”, Editora Rígel-RS, trato da visão do Cavalo que tem reflexo em diferentes situações do trabalho montado, provas, manejo, enfim do cotidiano.
Por vezes o cavalo tem algumas atitudes que o cavaleiro não compreende. Muitas vezes essa reação está relacionada com a maneira como o cavalo vê, que é bem diferente do nosso ponto de vista.
A visão do cavalo

Existe uma tendência entre nós de julgarmos as atitudes e as demais pessoas do nosso ponto de vista.
Assim, de modo simplório e até certo ponto autoritário, separamos o que consideramos certo e errado, verdadeiro ou falso, a partir de nossos referenciais pessoais, de acordo com nossos padrões e educação, enfim da nossa visão de mundo, como se fosse a única, ou a única correta.
Isso, levado às últimas conseqüências, acaba gerando na relação com outras pessoas a uma intransigência, intolerância ou impaciência com opiniões alheias, ou pontos de vista diferentes. Quantas pessoas nós conhecemos que mesmo tendo muitas qualidades aparecem como “donas da verdade” pela intensidade com que afirmam seu julgamento a partir do seu próprio referencial, ou mais popularmente, do seu ponto de vista?
Penso mesmo que ninguém está livre de ter sido pego adotando essa atitude em conversas profissionais, pessoais e na vida em geral, uns com mais força outros com menos, mas principalmente os líderes, os empreendedores, incorrem nessas atitudes quase que “naturalmente”.
Quando falamos que cavalos são verdadeiros “terapeutas” é porque a convivência com esses maravilhosos seres acaba por nos obrigar a rever pontos de vista, os chamados paradigmas pessoais.
Não se consegue nada duradouro com os cavalos apenas na base da imposição e da submissão deles ao nosso ponto de vista. Muitas vezes eles demoram a responder a uma solicitação e o “cavaleiro” sentindo-se desafiado em sua exigência de pronta resposta, desce o relho ou finca a espora, “ afinal ele precisa saber quem manda”, não é mesmo?
Nada pior para a quebra de confiança, ser agredido sem saber o motivo, e para as pessoas que agem assim com seu cavalo, (que por excelência deve ser tratado como parceiro e ser trabalhado para estar sempre pronto a colaborar com o cavaleiro), apresentamos abaixo algumas características do sistema ocular do cavalo, essencialmente diferente do nosso.

A começar pela posição lateral dos olhos na cabeça. O cavalo é presa e portanto seu àngulo de visão é mais abrangente para detectar a aproximação de predadores pelas costas. Ele tem uma visão binocular, (o filme que passa no olho direito é diferente do passa no esquerdo), olhando para frente ele vê 70 graus como os humanos e mais 215 graus para cada lado. Ele vê a aproximação às suas costas sem ter que virar a cabeça.
Quando o cavalo é mau tratado ou agredido pelo cavaleiro(predador), ele fica mais ligado no que ocorre atrás dele ou dos lados e fica sem enxergar o que ocorre pela frente. Para quem faz pista isso é o fim.
Os principais pontos cegos estão entre os dois olhos e exatamente atrás de sua garupa, razão porque muitos cavalos mansos acabam a dar coices, pois simplesmente não viram o que estava atrás deles e têm o instinto de se defenderam de um “possível” predador.
Outra diferença fundamental em relação ao nosso olhar, é que os humanos têm atrás do cristalino um feixe de músculos que permitem contrair ou relaxar para ajustar instantaneamente o foco de objetos próximos ou distantes. O cavalo não tem esse feixe de músculos.
O cavalo não tem o olho esférico e sim oblíquo então quando o cavalo abaixa a cabeça ele vê objetos próximos, como a comida no cocho e os mais distantes levantando a cabeça. Posicionar corretamente a cabeça em uma trilha, uma pista com obstáculos, ajuda o cavalo a dimensionar o objeto e sua distância em relação a ele.
A responsabilidade do cavaleiro aumenta quando ele usa rédeas curtas e encapota a cabeça do cavalo, restringindo sua visão apenas ao que está imediatamente abaixo dele.
Por fim, a questão da visão a cores ou noturna. O que permite enxergarmos todo o espectro de cores são estruturas sensoriais chamadas cones, os quais, temos em maior quantidade que os cavalos. Já a percepção de claro e escuro é definida por estruturas chamadas bastonetes e pesquisas recentes comprovam que os cavalos os têm em maior quantidade que nós.
Assim, cavalos enxergam os espectros de duas cores, provavelmente azul e vermelho, ainda que não as definam exatamente como nós e nos superem em muito na visão noturna.

O segundo tópico que diferencia nossa visão do equino é com relação à acomodação do cristalino. No ser humano, o cristalino, que é a lente que permite a visão, é fixado no olho por um grupo de músculos que ao contrair ou ralaxar permitem o foco das coisas próximas ou distantes do seu campo de visão. No cavalo esses músculos não existem. Então como o cavalo foca objectos distantes ou próximos? O olho do cavalo não é totalmente esférico e o cristalino do cavalo está colocado em posição fixa, mas INCLINADA em relação ao eixo do olho. Isso permite que o cavalo possa focar objectos próximos ( o alimento) abaixando a cabeça, e os distantes (você a chegar ao longe) levantando a cabeça! Tenha isso em mente na próxima vez que travar a cabeça do seu cavalo com rédeas restritivas, como as alemãs, ou não permitir ao seu cavalo abaixar a cabeça para ver o obstáculo que ele está abordando.

Em terceiro lugar temos o eternamente discutido tópico: os cavalos vêm a cores ou não? Primeiramente devemos esclarecer que para que um animal possa ver como nós, ele deve possuir na sua retina (no fundo do olho) dois tipos de sensores: bastonetes, responsáveis pela visão noturna e pela sensação de claro e escuro, e os cones, responsáveis pela visão diurna e pela distinção das cores, que no homem são de três tipos. Durante anos os pesquisadores afirmaram veementemente que os cavalos não poderiam ver colorido pela falta de total de cones. Entretanto, uma pesquisa do ano de 2002 da Universidade de Wisconsin (USA), provou que os cavalos possuem, em muito menor quantidade que o homem, 2 tipos de cones: para a visão do espectro do vermelho e do azul. E mesmo essas cores são percebidas diferentemente em relação à nossa visão.

As últimas diferenças importantes entre a visão do cavalo e a do homem estão ainda na percepção nos detalhes, que é bem maior no homem do que no cavalo, ou seja, de longe o cavalo vê como uma pessoa míope e reconhece o dono mais pela voz, passadas e por movimentos típicos de cada um do que pela visão, e outra diz respeito ao tempo de acomodação da retina em ambientes claros e escuros. O homem consegue acomodar a visão da luz para a escuridão e vice-versa em menos de 2 segundos, enquanto que o cavalo leva mais de 6 segundos, para conseguir enxergar com nitidez. Isso é importante em provas em recinto fechado, onde os cavalos se aquecem na penumbra (onde veem muito melhor que nós) e subitamente entram em uma arena iluminada onde o cavaleiro logo começa a exigir do seu animal sem lhe dar tempo para acomodar a visão (agora quem está vendo bem é só o cavaleiro), ou ainda em trilhas onde se passar de um local ensolarado para um caminho escurecido por árvores, quando muitas vezes refugam, ou não querem entrar, justamente porque não estão enxergando as condições do solo onde tem de colocar os pés.

Ação das Rédeas e pernas em sintonia

Antes de debater embocaduras – vamos entender melhor o trabalho montado. Há um ano publiquei o texto “Cuidados para fazer a boca do cavalo”, no qual trato da importância do charreteamento feito do chão com rédeas longas, para fortalecer a musculatura da nuca e do pescoço e fazer a boca do cavalo, desde cedo.
Além da escolha do melhor bridão, (recomendo sempre o uso de embocaduras leves e menos agressivas), desde que o cavaleiro/amazona, trabalhe melhor a qualidade da sua equitação, o seu equilíbrio e o trabalho consciente da ajuda de pernas.
É muito comum, infelizmente, o cavaleiro pedir uma coisa com as pernas e outra com as mãos, desorientando o cavalo e daí em diante passa a reclamar do cavalo, “que não atende, que é quente”, e pede: – “qual embocadura mais forte para controlar melhor o cavalo?”
Ora, evidente que se continuar a cometer o mesmo erro, o de pedir uma coisa contraditória não vai adiantar querer passar a freio-bridão, falar em 4 rédeas, depois um freio água choca, depois um ainda mais fino e portanto mais agressivo e esse circulo vicioso só terá fim, quando terminar por vender o cavalo, considerado por ele um queixo duro, sem utilidade.
O erro sempre teria sido do cavalo? Ou ele foi estragado por uma teimosia, aliada à falta de preparo e a um orgulho de considerar o cavalo sempre errado.
Aqui temos praticado com diversas pessoas que nos procuram, para obter uma integração cavalo-cavaleiro. Nesses exercicios, proponhom que montem a pelo, e sem rédeas, primeiro em um redondel, e trabalham antes de tudo uma consciência de quais grupos musculares são usados na cavalgada (panturrilha, adutor posterior e anterior das coxas, gluteos, pelvis, região lombar, trapezoidal), depois aprende-se um pouco sobre postura e papel das pernas, para depois colocar uma embocadura e só então selar e sair.
Claro que com maior consciencia, o resultado muda.
Mas, há cavalos que foram prejudicados e já não oferecem segurança em sair à rua com qualquer embocadura. Nesses casos, o cavalo precisará ser “refeito”, buscando apagar da mente as gravações erradas – daqueles que sempre aliviaram a pressão quando ele empinava ou dava manotaços, ou simplesmente se aceitava que o Cavalo, (sem trabalho regular), desse meia volta, sem sair para rua ou pista, apenas quando a montaria apenas ameaçava subir, ou recuar sem querer ir adiante.
Nestas situações, o que o cavaleiro fazia com a rédea? E com as pernas? Nada de efetivo, apenas desorientava o cavalo, para depois reclamar.
Para auxiliar no aprofundamento desse tema, busquei em duas fontes, nos trabalhos de Mário Alino Barduni Borges que é professor de Educação Física da Universidade Federal de Viçosa, e Juiz de Concursos de Equitação e de Marcha e o do Brigadeiro Luís Almeida Ribeiro, treinador de cavalos P.S.Lusitano.

Vamos começar por entender, o efeito das rédeas, causado por nossa ação com elas e como essas ações são classificadas;

EFEITO das RÉDEAS

Segundo o Brigadeiro Luís Almeida Ribeiro, “ As rédeas actuam por intermédio da mão do cavaleiro. Este deve ter o máximo cuidado em não surpreender o cavalo e empregar as rédeas sem prejudicar nem corrigir a ação das pernas. Insisto neste ponto e repito, porque tenho notado em mim e noutros cavaleiros que o seu emprego e combinação de ação com as pernas não se faz como seria para desejar. Se hoje consigo não estabelecer luta entre a perna e a mão no sentido lateral, no sentido longitudinal já não me acontece assim, tirando muitas vezes excesso de impulsão dado pelas pernas, o que é prejudicial no ensino e vai com certeza estabelecer confusão no espírito do cavalo.
A rédea, como a perna, tem um momento único de atuar. Por aqui se vê a dificuldade de, mesmo numa lição individual, indicar qual a rédea que o cavaleiro deve empregar. Quando chega a indicação já é tarde. O campo de ação das rédeas é vasto.
• Rédea direta é aquela que atua do lado do movimento
• Rédea contrária é aquela que atua do lado contrário ao do movimento.
• Rédea de oposição é aquela que opõe as espáduas à garupa.

Para a condução básica do cavalo, serão três os efeitos de rédeas a serem utilizados com mais frequência, a saber:
Rédea Direta de Abertura: empunhando cada rédea com uma mão, este efeito deverá ser o primeiro empregado no trabalho de adestramento, pois facilitará o entendimento por parte do cavalo com relação às nossas intenções. É chamada de direta, porque a rédea que atua (ativa), está do mesmo lado para o qual se deseja o movimento do cavalo. De abertura, porque se age, “abrindo” a rédea ativa em relação ao eixo longitudinal do animal. A outra rédea (reguladora), como o próprio nome já indica, será a responsável pelo “controle” da intensidade do movimento. Com base nestas ações, o cavaleiro terá recursos para indicar à sua montaria, a direção desejada.
Sobre a ação da rédea direta, o Brigadeiro, orienta: “Seu efeito: o cavalo curva o pescoço para esse lado, dá a ponta do focinho para o mesmo lado e sobrecarrega a espádua desse lado. As pernas actuam igualmente. O cavalo percorre com as pernas a mesma pista que percorreu com as mãos.

Rédea Contrária: Atuando sobre a tábua do pescoço, possui este nome porque impele para o lado contrário o pescoço e espádua do animal, chamada, portanto de mestra da espádua. A rédea contrária direita atuará sobre o lado direito do pescoço, volvendo o animal para a esquerda, enquanto a rédea contrária esquerda terá atuação oposta.
Para condicionarmos o cavalo a atender a este comando, devemos passar a abrir cada vez menos a rédea de abertura ativa e aproximar a rédea reguladora à tábua do pescoço do animal, substituindo gradativamente o efeito desta pelo da rédea contraria. A partir do momento em que o cavalo atender satisfatoriamente ao novo comando, passamos a empunhar as duas rédeas numa só mão, usualmente a mão esquerda.
Essa ação, do ponto de vista do Brigadeiro é a que sobrecarrega a espádua do lado contrário. As pernas atuam igualmente. O cavalo percorre com as pernas a mesma pista das mãos.

Rédea Direta de Oposição: essa expressão quer dizer que a sua ação é a de se opor ao movimento “para frente” do cavalo. Atuando paralelamente ao eixo longitudinal, o cavaleiro traciona a rédea ativa, que bloqueia a espádua do mesmo lado, bloqueando consequentemente a garupa. A mão da rédea ativa age mais alta que a reguladora. Este efeito faz com que a garupa se desvie para o lado oposto ao da ação da rédea, chamada por isto de mestra da garupa. É normalmente utilizado para encostar o animal em porteiras, corrigir um desvio no recuo e também para auxiliar nos exercícios de engajamento dos posteriores.
A Rédea direta de oposição atua paralelamente ao corpo do cavalo. Opõe as espáduas à garupa deslocando as espáduas para o mesmo lado e a garupa para o lado contrário. A perna do lado da rédea atua ativamente; vem em reforço da rédea.

Nesta ação, o cavalo roda sobre o centro de figura. Opõe as espáduas à garupa. Desloca as espáduas para o lado contrário e a garupa para o lado donde a rédea atua. A perna ativa é a do lado contrário. No emprego desta rédea está a chave do avanço do ensino do cavalo. Se esta rédea atuar na direção da anca contrária, o cavalo é deslocado todo para o lado contrário. É a rédea que atua sobre a massa do cavalo.
A rédea de abertura e a rédea contrária atuam sobre o antemão; as rédeas direta e contrária de oposição, sobre a garupa; esta mesma rédea atuando na direção da anca contrária atua sobre toda a massa do cavalo. Como a sua ação tem por limites a rédea direta de oposição e a rédea contrária de oposição atrás do garrote, alguns deram-lhe o nome de rédea intermediária. Atua simultaneamente, e para o mesmo lado, sobre as espáduas e sobre a garupa. Perna ativa a perna do mesmo lado. A outra perna tem uma função importantíssima. É ela que atira o cavalo para diante é ela que o impulsiona.
A outra rédea tem um papel regulador; a outra perna atua ora passivamente ora ativamente porque, como já disse, é essa perna que impele o cavalo para diante. Fixando: A perna do lado do movimento é sempre a perna impulsionadora.
As ações das rédeas foram explicadas supondo o cavalo em andamento. Durante o trabalho o comprimento do pescoço varia segundo a posição, assim varia também o comprimento das rédeas.
Muitos cavaleiros leram em vários livros mão fixa, a perna empurra o cavalo para cima da mão. Leram, é um facto, e ouvem dizer mas não digerem dando o seguinte resultado: Montam a cavalo, separam as rédeas, como é agora moda, tomam um comprimento de rédea e assim trabalham. Resultado: o cavalo fica metido numa forma.
Mão fixa é a mão que não executa movimentos involuntários ou inúteis; por mão fixa não se deve entender a mão imóvel, pelo contrário ela deverá deslocar-se conforme as necessidades. A mão deve estar permanentemente em contato com a boca do cavalo e, como tal, não há comprimento de rédea pré-estabelecido para este ou para aquele trabalho, visto que o comprimento variável do pescoço é que regula o comprimento da rédea.

Trabalhar com rédeas compridas equivale a dizer trabalhar o cavalo com o pescoço estendido. Deve-se trabalhar com as rédeas, o mais comprido possível. Assim o cavalo, não lutando com a mão, tem menor fadiga e não se tolhem suas escolhas e qualidades. O comprimento do pescoço varia conforme a posição. A rédea comprida dá uma liberdade ao antemão tão grande e produz benefícios, que só a prática nos mostra.
Como disse, endireito o cavalo pela frente e agora, já posso acrescentar, endireito-o com rédeas contrárias de oposição, sensivelmente na direção do ombro do lado oposto (rédea direita, por exemplo, atuando na direção do ombro esquerdo).
Os cavalos endireitam-se pela frente com as rédeas e não com as pernas. No caso indicado, o emprego da rédea direita para endireitar o cavalo diz-nos que o cavalo ia com a garupa na esquerda e eu, empregando a rédea direita contrária de oposição, vou colocar-lhe as espáduas à frente da garupa.
A perna esquerda é a perna ativa e daqui sai a confusão de muitos julgarem que estou endireitando o cavalo com a perna esquerda, empurrando a garupa para a direita. O que é necessário é não haver ações opostas de rédea e perna, contrariando os seus efeitos.
O cavalo no começo do ensino não marcha francamente para diante, sendo necessário entalá-lo entre as rédeas e entre as pernas e finalmente entre as rédeas e pernas. Impulsiono com as pernas e a mão recebe e dirige essa impulsão. É a perna que obriga o cavalo a tomar o contato com a mão e não é a mão que vem procurar o contato com a boca do cavalo.
A própria conformação do cavalo assim nos conduz a tal raciocínio. É o pós-mão, pela sua disposição e poder, que impulsiona toda a massa.
Para colocar o cavalo em contato com a mão, obrigando-o a estender o pescoço, posso agir de duas maneiras: Ou dou um comprimento de rédea fixo e obrigo o cavalo a procurar o contato com a mão, ou tomo de início um contato suave com a boca do cavalo e obrigo, com as pernas, o pescoço a estender-se.
Esta última maneira é a que tenho seguido e dela bons resultados tenho obtido.

CONTATO E APOIO

Voltando ao Professor Mário Alino Barduni Borges, “o desenvolvimento de uma correta relação entre contato e apoio exige uma ação mútua entre cavaleiro e cavalo, sendo indispensável ao conjunto para que este consiga atingir uma performance satisfatória no decorrer dos trabalhos de adestramento.
O contato pode ser definido como sendo a comunicação exercida entre as mãos do cavaleiro e a boca do cavalo, promovida pelo cavaleiro através do correto ajuste das rédeas. A importância do contato se deve a necessidade de passarmos os comandos à boca do animal através do correto ajuste das rédeas e para que, a partir deste, o mesmo possa ter “segurança” e “confiança” para apoiar-se adequadamente na embocadura.
O apoio é a pressão exercida pelo cavalo em resposta à ação das rédeas devidamente ajustadas pelo cavaleiro. A necessidade do apoio vem do fato de o cavalo ser um animal debruçado em seus membros anteriores e a presença da sela e do cavaleiro sobre o seu dorso reforçarem ainda mais esta sobrecarga natural. Apoiando-se na embocadura, o cavalo adquire um “ponto de equilíbrio” que lhe permite deslocar com maior naturalidade, confiança e desenvoltura, podendo assim atingir uma melhor qualidade no aprimoramento de seus andamentos naturais (passo, marcha e galope).
Desta forma, chegamos à conclusão de que o apoio deverá ser franco, porém suave, não trazendo desconforto ao cavalo e nem ao seu cavaleiro. Portanto, “podemos afirmar que é tarefa do cavaleiro regular a pressão do apoio a partir do contato exercido pela ação de suas mãos sobre as rédeas”.

DESCONTRAÇÃO DO MAXILAR

Prossegue o professor, “a descontração do maxilar do cavalo é essencial ao trabalho de adestramento para que ele assuma uma atitude correta sem apoiar-se pesadamente na embocadura”.
Para condicionarmos nossa montaria a tal descontração, passamos a “dedilhar” as rédeas com os dedos, promovendo uma massagem nas comissuras labiais e nas barras. Esta ação ocorre alternando-se os momentos de atuar e ceder das mãos, alternando-se também o lado da ação. É importante que as mãos do cavaleiro atuem em sincronia com o ritmo do movimento do cavalo. A resposta apresentada a esta ação será a descontração do maxilar do cavalo, manifestada através do ato de mascar a embocadura, o que ocasionará intensa salivação com consequente relaxamento da mandíbula e alívio do apoio.

ATITUDE

Já sabemos que a presença da sela e do cavaleiro sobre o dorso do animal reforça a sobrecarga natural que o mesmo apresenta em seus membros anteriores, a ponto de mudar seu centro de gravidade original. No adestramento, buscamos através da obtenção da atitude, devolver ao cavalo o seu “equilíbrio natural”, ou seja, reequilibramos o cavalo e o conjunto, permitindo a execução das figuras na pista com desenvoltura, elegância e naturalidade, sem briga, sem confrontação e dor.
A obtenção da atitude se manifesta através do posicionamento específico de algumas regiões zootécnicas do cavalo, promovendo algumas mudanças de postura em seu corpo, a saber:


Elevação da Base do Pescoço: Ocorre através do aumento da impulsão, com a projeção do cavalo para frente e a consequente resistência das mãos nas rédeas. Desta forma, obtemos uma maior sustentação do pescoço, que se eleva e se arredonda, encurvando-se para deixar o nariz perpendicular ao solo, chamamos popularmente, fazer o cavalo “colocar a cabeça”.

Flexionamento da Nuca: Também ocorre em função do aumento da impulsão e resistência das mãos. Através de uma correta descontração do maxilar, o cavaleiro tem recursos para mobilizar a cabeça do cavalo, ajustando-a para trás com consequente recuo em seu ponto de equilíbrio.

Engajamento dos Posteriores: Quando o cavalo flexiona a nuca ocorre o estiramento do “ligamento nucal”, o que promove um arqueamento dorsal da coluna, tornando-a mais flexível tanto longitudinalmente, quando lateralmente. Este arqueamento resulta no abaixamento das ancas e consequentemente no maior engajamento dos membros posteriores, trazendo para ele parte da sobrecarga do antemão. É quando ele coloca o posterior debaixo da massa e seu “motor”, empurra para a frente.
A atitude a ser assumida pelo cavalo irá variar em função do grau de reunião necessário para a realização das figuras a serem executadas. O importante é termos consciência de que a atitude, principalmente a mais reunida, requer um grande esforço muscular e, portanto, a sua permanência por períodos prolongados irá causar um grande desconforto para o animal.
Devemos procurar condicionar corretamente a nossa montaria; aquecer devidamente sua musculatura no inicio do trabalho; evitar a atitude por períodos prolongados e promover no início, no final e em intervalos ao longo das sessões de treinamento, o exercício de extensão do pescoço.

EXTENSÃO DO PESCOÇO

Utilizamos este exercício para promover um relaxamento dos músculos requisitados na obtenção da atitude, responsáveis pela elevação da base do pescoço e da postura flexionada da nuca. Sua indicação se dá em diversas fases do trabalho montado: no início da sessão, para promover o aquecimento; durante a sessão, em intervalos que iram variar em função do grau de reunião dos exercícios e do condicionamento do cavalo; ao final da sessão para promover o alongamento necessário antes de encerrarmos o treinamento e desmontarmos do animal.
Solicitamos a extensão do pescoço do cavalo, através do “dedilhar das rédeas” com consequente descontração do maxilar e busca do apoio por parte do animal.
Neste momento, o cavaleiro cede as mãos, fazendo com que o cavalo estenda continuamente o seu pescoço na busca de um apoio impossível. (vide figura e comentários do Brigadeiro, ilustrando acima).
A manutenção de um leve contato é indispensável para que o cavalo continue a buscar constantemente este apoio e não interrompa a execução do exercício.
O objetivo desta tarefa não se restringe somente à extensão do pescoço, mas a um completo alongamento da coluna vertebral do cavalo, extremamente sobrecarregado nos trabalhos montado. Este exercício, se utilizado corretamente e de forma rotineira, irá permitir uma manutenção da atitude por períodos cada vez maiores, além de preservar a integridade física do cavalo, prolongando a sua vida útil.

SENSIBILIDADE

Como último tópico a ser abordado gostaria de ressaltar a importância de o cavaleiro procurar desenvolver a sua sensibilidade, chamada no Horsemanship, da sua capacidade de “ler” o cavalo. Uma qualidade tão necessária na execução de uma correta avaliação das “reações” apresentadas pelo cavalo no decorrer dos trabalhos de adestramento.
Também é imprescindível que o mesmo utilize o bom senso na hora de programar as sessões de treinamento a serem impostas ao animal.
Não se entra em um piquete, pista ou redondel sem um plano de trabalho. Essa responsabilidade é do treinador. Onde estamos? Para onde queremos ir? Que ações nos levarão a esses objetivos? Em que tempo? Respostas que o trabalho em parceria com o Cavalo irão mostrar.

Saber identificar as “qualidades” e respeitar as “limitações” de cada Cavalo são qualidades que somente serão aprimoradas com base nos conhecimentos adquiridos ao longo dos anos e na experiência acumulada através do contato diário com este nobre animal, o nosso cavalo marchador.

Por quê é terapêutico cavalgar?

O Cavalo é um forte motivador terapêutico. A prática da equitação é acima de tudo, saudável e a nossa busca é por uma integração profunda entre cavalo e cavaleiro.
Aqui, graças ao trabalho do Médico José Torquato Severo que organizou a obra Equoterapia, equitação, saúde e educação, editada pelo Editora SENAC, tudo aquilo que muitas pessoas sentem ou sabem por intuição, tem uma confirmação cientifica e clinica.
Como recentemente postei um material sobre equilíbrio à cavalo – com informações sobre o centro de gravidade do Cavalo, em repouso e em movimento, e como isso se altera com o cavaleiro, na verdade esse artigo de hoje, é um complemento revelador daquelas informações.
É sabido por todos que montam um cavalo e isso nós trabalhamos muito nos nossos cursos e com as pessoas que vem ao Rancho São Miguel e cavalgam pela primeira vez, que para manter-se sobre o cavalo em movimento, o cavaleiro necessita de equilíbrio, consciência a respeito de quais grupos musculares são mais utilizados (veja artigo sobre isso no nosso site), e também coordenação motora.
A cada deslocamento de um membro anterior ou posterior do cavalo, o centro de gravidade do cavalo se desloca e o cavaleiro tem de ajustar seu próprio centro de gravidade ao do cavalo, criando a cada passo um centro de gravidade do conjunto.
A coordenação motora é solicitada para esses ajustes de postura. O uso harmonioso dos grupos musculares com força e flexibilidade na medida certa é a resultante dos ajustes de equilíbrio e da coordenação motora.
Além do ganho físico e do trabalho de equilíbrio que sempre nos “remete ao centro”, andar a cavalo também traz ganhos psicológicos e sociais.
A equitação, principalmente aos mais jovens, também é importante na formação do caráter, para o desenvolvimento de capacidades de decisão, integradas e para o cultivo de virtudes, da humildade, da serenidade, do senso de respeito.
O cavalo em movimento gera estímulos a partir da sua coluna vertebral, nos sentidos vertical e horizontal. Todo cavalo movimenta-se de modo diagonalizado, (mão direita x posterior esquerdo e assim alternadamente). O cavalo Marchador insere um terceiro apoio no solo nas transições e isso aumenta seu equilíbrio e o conforto para o cavaleiro. O tempo em que este terceiro apoio permanece no solo define o tipo de andamento marchado, entre a marcha batida – com tempo mais curto (mais equilibrada) – e a marcha picada, quando o tempo mais longo do terceiro apoio, insere um instante de deslocamento lateralizado, quando ele apóia-se em dois membros do mesmo lado.
Onde está o ganho terapêutico da cavalgada
Como vimos acima, o ciclo de deslocamento de quatro membros que se alternam entre um “vôo” e o momento em que toca o solo de novo, temos uma sequencia bipedal diagonal, tripedal e lateral, repetindo essa sequencia o que nos dá oito bases por ciclo. A cada base, ocorre uma inflexão na coluna e um deslocamento do centro de gravidade do cavalo, nos ensina o Dr. José Torquato Severo, que prossegue: “ na passagem de uma base a outra, ocorre o pousar ou elevar do membro, a distensão dos posteriores e a passagem dos membros pela vertical e os deslocamentos dos eixos das espáduas e da garupa, gerando no cavaleiro estímulos, inclinações, rotações da pélvis e também na sua coluna vertebral, do sacro à cervical”. Enquanto os anteriores do cavalo se articulam com as espaduas e chegam até a cervical dele na altura da cernelha do cavalo, ( na altura da cernelha do cavalo, onde está normalmente a cabeça da sela e sobre o cavaleiro).
“Confira os efeitos do passo do cavalo, (desde quando um membro sai do solo até que ele pouse novamente – intervalo em que o cavalo efetua 4 batidas e oito bases).
– duas flexões laterais
– quatro inclinações antero-posteriores (distensão dos posteriores e batida dos anteriores)
– duas rotações horizontais
– quatro estímulos verticais
– um total de 12 efeitos de estimulo

Efeitos do passo do Cavalo sobre a pelve do cavaleiro

– quatro estímulos laterais
-quatro estímulos antero-posteriores
-quatro inclinações laterais
-duas rotações laterais
-quatro inclinações antero-posteriores
– um total de 22 efeitos

Cada ciclo do passo do Cavalo se realiza entre um e dois segundos, em 30 minutos de cavalgada são produzidos em média 49,5 mil efeitos sobre a pélvis e a coluna do cavaleiro.

Essa ação física, traz os estímulos físicos ao sistema nervoso e associado com a produção de serotonina traz a sensação de bem estar que uma cavalgada proporciona por si só.
Além disso, a necessidade de reequilibrar-se a cada movimento, nos remete ao centro, proporcionando um estado mental calmo e centrado, o cavaleiro deve praticar a colocação de seu foco no horizonte, olhando o mundo, por cima da cabeça do cavalo.
Somam-se a isso habilidades e desafios positivos que a cavalgada proporciona, confira comigo;
a) Exposição da pessoa a um ambiente não tradicional para a maioria- ir ao local onde o cavalo está hospedado, sentir o ar puro, visualizar paisagem verde e calma, o silencio, a mudança dos cheiros e aromas, a proximidade com um animal gentil e grande, forte e generoso como Cavalo também promovem sensações e emoções que podem ser trabalhadas por cada um; para mim, cada cavalgada é uma celebração que termina com um agradecimento ao Cavalo.
b) Novas experiências visuais
c) Novas experiências auditivas,
d) Novas experiências sensoriais – desde a brisa no rosto, o tato com o cavalo
e) Novas experiências olfativas, o cheiro da relva pisada, o cheiro do corpo do cavalo se aquecendo, das plantas, flores e espécies da mata, quanta diversidade não é mesmo?
f) Envolvimento físico e melhoria do tônus muscular além de maior consciência corporal
g) Experiência psicológica, a superação de limites, a coordenação pessoal e de um animal forte e vigoroso, habilidade para trabalhar um cavalo
h) Novas descobertas e conhecimentos sobre o comportamento do cavalo,
i) Coordenação olhos, mãos, pernas
j) Estímulos para a vida, para a tomada de decisões claras, para colocar e conhecer limites
k) Flexibilidade da mente e do corpo que ajuda a enfrentar diferentes situações

Cada um destes itens pode ser desenvolvido por você, elaborando e sentindo o que essas questões promovem em você – como apropriar isso trazendo como ganhos pessoais – da cavalgada para o seu dia-a-dia. Cavalos sempre aproximam boas pessoas e ajudam a criar grandes amizades em torno deles.

Manejo nutricional para um potro de dois anos

O nosso sitio digital recebe regularmente visitas de amigos e amigas do Cavalo de mais de 110 cidades do Brasil e entre 9 a 10 países, como EUA, Portugal, Espanha, França, Canadá, Argentina, Australia, Holanda, Alemanha, Belgica. Esta semana recebemos uma consulta de um visitante argentino sobre manejo de potros, a título de troca de experiencias.
Eu acho que sou um dos poucos visitantes argentinos, por isso espero que vocês podem me responder se estou manejando bem ou se pela experiência de voces, poderia melhorar e como. Eu sou o proprietário de um potro com 2 anos e meio de idade (ele terá 3 em março). Ele é uma cruza de ¾ árabes e ¼ x Paint. Ele é um bom menino atrevido. Ele vive fora em campo com 2 antigos companheiros (que podem ajudar a mantê-lo em seu lugar!). ele fica 19 horas solto e a noite se recolhe no paddock.
Eles têm acesso a feno em campo numa área de 100 acres. No inverno alimentamos fechados 4 vezes por dia com o que cortamos de sobras no Verão e depois acrescentamos feno de aveia na parte da manhã e feno de gramineas, com uma mistura de joio, trigo, aveia em uma mistura de grãos à noite.
Ele obtém acesso 24 horas a um bloco de sal mineral e eu adicionar enxofre, cobre e probiótico . (Estamos na região sul da Argentina em direção à terra do Fogo que é deficiente em muita coisa!) Meu problema é que as pessoas vivem me dizendo para alimentar com este ou aquele ingrediente mágico, ou uma super vitamina, ou mais de tudo, para adicionar altura, hormônios de crescimento para ele! Ele é muito bem estruturado e tem pés pequenos, mas eu tenho certeza que ele vai superar os 1,55m e deverá pesar perto de 400kg quando adulto, eu acho que ele vaiter um tamanho bom para meu uso.
Eu não quero forçá-lo, nem superalimentá-lo porque li que o excesso de proteína faz mal e como eu sou certo do ditado que as vezes menos é mais, meu objetivo é garantir ossos e musculos de qualidade para grandes cavalgadas e talvez provas de resistencia, como enduros de 80 km.
Mas percebo que ele começa a dar sinais de ir mais para gordotinho do que para magro. Vou começar a domar depois de março aos 3 anos e um ou dois meses, Poderia tranquilizar-me se o que eu estou fazendo é a coisa certa, posso ignorar todas essas pessoas dando palpites, que dizem que eu deveria encher-lhe o tanque com combustível de foguete?
Juan Menendes – Província de Neuquén – Argentina

Caro Juan, é com muita satisfação que começamos a trocar experiencias com criadores/proprietários de fora do Brasil. Sem duvida sua preocupação e ação para a alimentação correta será sempre uma grande parte da sua gestão no manejo (handler) da criação.
Discutir esta questão com seu veterinário, é bem mais eficaz do que dar ouvido, como voce mesmo disse, aos palpites de outras pessoas. Aqui temos um ditado que diz “que todo brasileiro é um técnico de futebol nato”, mas no mundo do Cavalo, todo mundo que tem um, que cria, ou que conhece quem cria, ou que monta no final de semana, também se julga uma autoridade no assunto, desconsiderando que cada Cavalo, assim como nós, é um ser único e irrepetivel e o que dá ou deu certo com um, não exatamente dará com outros, dadas inclusive diferenças de metabolismo, utilidade, esforço, trabalho, raça, região, propriedades minerais do solo, etc.
Outro ponto importante é que voce reconhece como verdade que às vezes menos é mais, e também voce tem um foco definido que é o objetivo de formar um cavalo para provas de resistencia, ou grandes cavalgadas. Então, isto aliado à uma dieta de cavalo atleta, (e voce tem que adotar um programa de condicionamento físico e trabalho crescente, desde a doma de baixo), te coloca no caminho correto para manejar seu potranco.

Voce não mencionou, por esquecimento, eu creio, mas além de tudo que está fornecendo como alimento o seu cavalo deve receber água fresca à vontade.
Nós do Rancho São Miguel, como Núcleo de Horsemanship, procuramos nos aproximar o máximo possivel da natureza do cavalo, desde sua alimentação, condições de abrigo, no manejo dos que são semi confinados, e não adotamos drogas ou hormonios para estimular o crescimento de massa muscular extra. Então não recomendamos o uso destes produtos.
Aqui temos uma farta oferta de rações com pré-mix, com probióticos, com diferentes formulações para potros, éguas gestantes, cavalos de trabalho e cavalos atletas, não sei se esta é a realidade de Neuquén, mas independente disso, o que voce relata me parece muito apropriado e com proteina bruta de boa qualidade tanto no feno de aveia como na mistura de grãos com probiótico.
Considerando que ele passa dois terços do dia, solto, e pastejando, sua necessidade de volumoso em quantidade está excelente e próximo do natural que desejamos.
Leve em conta que o cavalo come a cada trato 1,5% a 2% de seu peso vivo em volumoso e 1% a 1,5% de concentrado. Aqui ao invés de fornecer a segunda parcela de concentrado à noite, fornecemos no almoço, resguardando duas horas antes deles irem para o trabalho montado.
Mas isso não é regra e o que me parece por tudo que li em seu relato é que o tão sonhado desenvolvimento dfe músculos e a confirmação de uma boa ossatura, virá à medida em que o Cavalo comece a ter um regime de treinamento planejado.
Começa com uma boa avaliação veterinária, com exames clínicos, biométrico (peso x altura), resistencia física.
Comece na doma de baixo com um trabalho leve que aumenta 5’ a cada dia, primeiro rodando à guia ou livre no redondel, por 15 minutos, depois 20, 25, 3º e ai estabiliza por um tempo.
Alterne neste trabalho desde o chão, voltas a passo, trote, galope, alto. Depois mantenha metade do tempo no trote ou galope reunido para desenvolver capacidade respiratória, melhoria da circulação geral, ganho de condicionamento.
Quando for o momento, no seu planejamento, coloque a rédea longa e aqui seguimos a linha do compatriota argentino Oscar Scarpatti de fazer a musculatura da nuca e a boca do cavalo, antes de passar à doma de cima.
Uma vez montado, o trabalho deve ser crescente também, até que ele adquira a condição de enfrentar cavalgadas longas. Sempre que trabalhar montado, alterne uma hora de trabalho, quinze minutos em ritmo a passo, antes da parada, após aplique uma ducha nas patas, boletos, tendões, e um banho de recompensa.
Voce está manejando bem a nutrição, e depois que ele entrar num ritmo regular proceda avaliações médicas mensais ou bimensais para anotando os indicadores, voce ter um parametro tecnico de avaliação do crescimento dele, sem achismos, palpites.
A resistencia e o fortalecimento muscular são uma consequencia de um manejo equilibrado e correto e não um objetivo em si. O objetivo deve ser o construir um relacionamento baseado em confiança e cooperação, ter um cavalo sério e responsável, que saiba escolher cooperar e com espirito altivo e vivo. Boa sorte

Curso de Horsemanship e Escolarização de Potros


Depois de uma temporada de Clínicas individuais, o curso de Horsemanship acontecerá de 28 de janeiro de 2012 a 18 de fevereiro. Serão 4 sábados, com turmas das 9h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00 –

Programa do Curso

O Curso será realizado em quatro módulos
1) Palestra de abertura sobre A Natureza do Cavalo- seu padrão de respostas – sua linguagem na manada – compreensão da sua emoção dominante como animal de manada – sensibilização dos participantes em campo, para leitura dos sinais que o cavalo utiliza em sua comunicação – como o Cavalo aprende e ensina; O trabalho baseado em Confiança e Cooperação ao invés do tradicional medo e submissão;
2) As partes do cavalo- Morfologia – aplicada à funcionalidade – como ler as informações zootécnicas que ele nos dá – noções de fisiologia – sua visão –cascos- boletos-tendões-aprumos – o conhecimento destes tres aspectos essenciais relacionados à compreensão da funcionalidade da sua fisiologia, compreensão de como se formam as imagens em sua mente e seu ponto de vista – com reflexos na sua condução quando montado – a questão do aprumo e equilibrio funcional;
3) Fundamentos do Horsemanship – O que é – seus princípios – Pratica individual com Cavalos, potros, éguas em diferentes idades e fases de desenvolvimento da abordagem pelo Horsemanship (relação Homem-Cavalo do ponto de vista do cavalo – A Doma Gentil –
4) Trabalho de base (ground work) na fase de doma de baixo – desde a construção da conjunção (quando o Cavalo escolhe e reconhece sua liderança) – o trabalho à guia, o engajamento, flexão lateral e de pescoço, a pratica do charreteamento para “fazer a nuca e a boca do cavalo”,

Material Necessário

Bota
Calça jeans confortável
Chapéu ou boné
Protetor solar para rosto e braços (se você costuma usar)
Capa para chuva

O que está incluído

Apostila
Certificado
Camiseta temática com mensagem sobre o Horsemanship

Valor do Investimento no Curso
Valor promocional de férias de R$ 600,00 (seiscentos reais), o que equivale a R$ 150,00 cada módulo.
Condição solicitada: As vagas se confirmam mediante 50% do valor a ser depositado no ato da Inscrição (que estará aberta até 11/01/2012 pelo Fale conosco do site www.ranchosaomiguel.com
Vagas limitadas

Módulos Extras e Opcionais

5) Corporativo – O Horsemanship para Homens e Mulheres – o que o Cavalo ensina – abordando aspectos como
A egua alfa é a que lidera o grupo. Ela não se impõe como líder, é eleita pela manada por sua capacidade, experiencia e pela natureza compassiva de sua liderança. Neste módulo, reunimos um grupo de Homens e Mulheres para descubrir pontos fortes, conectando-as com cavalos, com outras pessoas e o mundo natural. Vamos tentar identificar e explorar barreiras, bloqueios para encontrar com o Cavalo meios para superação e confiança.
Estas atividades buscam trabalhar questões como aprender a colocar limites, Aprender a comunicar melhor e com clareza, Comunicação verbal e não verbal, Liderança pessoal, Desenvolver a coerencia entre coração e mente,
Gerar mais confiança em si mesmos e nas equipes e outras pessoas, Identificar quanta energia colocamos em cada situação. Não é necessário ter experiencias anteriores com Cavalos

6) Equilíbrio e qualidade do “assento” – a base da boa equitação
7) Trabalho montado, atitude de corpo, mãos, pernas, ajudas.
8) Preparo físico do cavaleiro- amazona – grupos musculares usados
9) Embocaduras e equipamentos – usos e cuidados

Aproveite os sábados desse período de férias e ganhe vivencias únicas em um local bonito em meio à natureza e à Mata Atlântica, com ar puro e a companhia de animais especiais, generosos, míticos e de espírito nobre.